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terça-feira, 11 de setembro de 2012

NOVAS ALTERAÇÕES PREVISTAS NA ABNT NBR 5419

Com o objetivo de informar o leitor sobre as fortes tendências de alteração na ABNT NBR 5419, apresentamos este texto.
As maiores alterações previstas na revisão da ABNT NBR 5419 são aquelas relacionadas à análise de risco, dentre elas a definição da necessidade da instalação do SPDA e a forma de obtenção do nível de proteção a ser adotado em um projeto de para-raios.
No arcabouço do projeto de norma há várias particularidades que influenciarão as decisões dos projetistas quando estiverem tratando dos assuntos mencionados no parágrafo anterior, incluindo a forma de obtenção da densidade de raios (Ng) em uma determinada região.
Os textos das antigas versões (P-NB-165:1970 e ABNT 5419:1977) não faziam considerações sobre Ng e nem definiam critérios para determinação da necessidade ou não de SPDA. A partir da revisão de 1993, o assunto passou a constar do texto da norma e, desde então, Ng pode ser obtido por meio de índices ceráunicos (Td) e da relação:

Ng = 0,04 Td 1,25

No anexo A da IEC 62305-2 ed. 2 consta que Ng é um dado que pode ser disponibilizar por meio de várias redes de localização de raios pelo mundo. Estabelece ainda que, em regiões com clima temperado, se não houver um mapa disponibilizado os valores de Ng0, ele pode ser estimado a partir da relação:

Ng = 0,1 Td

Sendo assim, Td poderia ser obtido pela consulta aos mapas isoceráunicos das Figuras B.1. a) e B.1. b), anexo B das ABNT NBR 5419, porém, o mapa de curvas isoceráunicas da Figura B.1a) é o resultado de um trabalho antigo, de 1910 a 1951, feito com os poucos recursos da época, com pequena número de locais de observação (escuta e registro) de trovoadas e com diferentes períodos de observação para diferentes regiões. Na prática é um mapa de difícil utilização, pois em baixa resolução e as únicas referências para a localização de um ponto geográfico qualquer são os detalhes do contorno do país. O mapa exibe poucas curvas e grandes áreas em que a extrapolação de valores é o único recurso para se chegar a algum valor. O outro mapa de curvas isoceráunicas, apenas para região sudeste (Figura B.1.b), é mais detalhado, porém ainda com limitações.
Este mapa foi elaborado pela Cemig com dados de aproximadamente 25 anos (1971 a 1995). Os dados foram obtidos de 580 pontos de observação em Minas Gerais e de 120 pontos de observações em regiões próximas. Quando se compara dados de uma mesma região nos dois mapas nota-se diferença entre os valores dos índices ceráunicos.
Visando maior precisão na obtenção de Ng e valendo-se de novas tecnologias existentes, a Comissão de Estudos que revisa a ABNT NBR 5419, com a colaboração do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do INPE adotará uma nova forma de consulta: o índice ceráunico deixará de ser utilizado, pois os valores fornecidos pelo ELAT representam a densidade de raios de forma direta, ou seja, uma etapa de cálculo na análise de risco se tornará desnecessária. Os mapas de Ng serão apresentados por região geográfica e publicados com qualidade gráfica adequada, além disso, foi considerada a alternativa complementar de acesso via internet a uma base de dados em que o interessado lançará as coordenadas geográficas do local para obter Ng.
Alguns estudos e simulações ainda estão sendo realizados, mas espera-se ter mais este avanço incorporado no texto revisado o mais breve possível. 

Revista O Setor Elétrico /  Edição 78
Jobson Modena / Engenheiro Eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB -3 da ABNT.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

ELETRICISTA EXPRESS

A lei n. 6.514, de 22 de dezembro de 1977, alterou o Capítulo V do Título II da CLT e neste capítulo, exatamente na Seção IX, está o artigo 180:
“Art.180. Somente profissional qualificado poderá instalar, operar, inspecionar ou reparar instalações elétricas”.
            Ocorre, no entanto, que não ficou claro o que se pretende dar a entender com o termo “qualificado”. Por essa razão, a NR 10 definiu que são entendidos como trabalhadores qualificados aqueles que receberam instrução específica em cursos reconhecidos e autorizados pelo Ministério da Educação e Cultura, com currículo aprovado e que comprovaram aproveitamento mediante exames e avaliação preestabelecida e, por essa razão, receberam um diploma, um certificado.
Nesta categoria se encaixam, além dos profissionais de nível superior e nível médio com profissões regulamentadas, as pessoas que adquiriram conhecimento que lhes permitiu ter uma ocupação profissional, os eletricistas montadores, eletricistas de manutenção, entre outros.
A intenção, em poucas palavras, era impedir o aparecimento dos cursos milagrosos, que não passam de comercialização de certificados.
Especificamente para os cursos de eletricistas e afins, tem-se verificado situações que dificultam até mesmo a obediência à Lei. Os cursos profissionalizantes de nível técnico e os cursos de nível superior possuem, efetivamente, a regulamentação do MEC com registros e demais procedimentos legais. Já os cursos de iniciação profissional e formação dos trabalhadores, entre eles os destinados a formarem eletricistas, parecerem não ter parâmetros específicos, nem critérios relacionados a pré-requisitos, a carga horária ou a conteúdo.
Dessa forma, aparecem candidatos para cargos de eletricista com diplomas ou certificados emitidos pelas escolas que os formaram, as quais não contam com um padrão que deveria ser de conhecimento das empresas que oferecem as vagas de trabalho.
Existe responsabilidade nessa certificação e responsabilidade da escola ao afirmar que o seu aluno detém os conhecimentos necessários que o fazem apto para trabalhar com eletricidade.
Apenas a título de ilustração:
1.  O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) oferece cursos de aprendizagem industrial para eletricistas prediais e industriais com cargas horárias de 800 e 880 horas e estabelece como pré-requisito, entre outras exigências, o ensino fundamental concluído como escolaridade mínima.
2.  Tem sido veiculado na mídia (tevê) um programa estadual de qualificação profissional que promete formar um eletricista de manutenção com o pré-requisito de 4ª série do ensino fundamental, com a carga horária de no máximo 240 horas!

É o eletricista Express!
Talvez a organização do tal programa estadual desconheça que existe norma técnica para qualificação e para certificação de eletricista de manutenção. A ABNT NBR n. 15152/2004 determina os pré-requisitos e oferece a relação de tópicos que devem ser aprendidos pelos alunos; só para o nível 1 ( o mais elementar) são cinco páginas!
Qual será a mágica e de quem é a responsabilidade?
Eletricidade é coisa séria! E mais perigoso que não saber é pensar que sabe.

Revista O Setor Elétrico / Edição 78
Julho /2012.
Matéria por: João José Barrico de Souza / Engenheiro Eletricista e de Segurança do Trabalho.